Dado adquirido: Os caprichos várias vezes acabam por se virar contra o seu perpetuador. Era nisso que ele pensava enquanto deambulava por entre os corpos extenuados de gozo no chão que pisava. O cheiro ambiente, agora que a embriaguez passara, era não menos do que asqueroso, o vómito estava a ser díficil de conter.
Entrou na casa de banho, depois de desviar o corpo de uma acólita de ninfa desnudada que tombara á porta da divisão horas antes de esgotamento físico, o psicológico perdera capacidade de ser atingido por tal algures entre a sétima ou oitava garrafa esvaziada, e dirigiu-se à sanita para despejar o que ficara no organismo da noite anterior.
A cabeça ainda rodava, era a parte maldita da ressaca: A ausência de prazer. Por mais aflita que uma bexiga se encontre no momento em que está prestes a ser esvaziada e tal gesto traga uma sensação de de alívio e satisfação, nunca tal se poderá comparar a ter um corpo feminino debruçado sobre ele aos beijos enquanto outros lábios da mesma natureza circundam a zona da pélvis, cercado de uma barreira de gargalhadas e gemidos.
Guadou o falo no que restava dos boxers (que não se recordava se eram os seus) e foi lavar as mãos e a cara. Questionou-se sobre o que teria acontecido apesar de se recordar do suficiente para responder á própria pergunta, a dúvida era puramente retórica. Ele sabia muito bem que naquela noite tinha celebrado uma orgia contempôranea com alguns amigos seus e desconhecidos á mistura na casa de um colega seu.
Enquanto durara, a diversão fora intensa, nunca pensara ver C#*&% no papel de Ishtar com três rapazes, muito menos acharia razoável se lhe contassem que nessa noite M*%#& tivesse possuido toda a fêmea na casa com o seu consentimento. Os embriagantes têm de facto, poderes incríveis.
Levantou a cabeça do lavatório ao lembrar-se de um detalhe que agora não sabia como abordar, escondera o conteudo daquela noite á mulher. Agora preocupava-o o facto de a culpa o poder denunciar á pessoa que ama. Repetiu para si mesmo que não deveria ter vindo á celebração, repetia-o incessantemente, mas no seu íntimo pensava que não poderia ter agido de outra forma.
Toda a vida ansiara por um evento de lúxuria da magnitude do que testemunhara e fizera parte, assim que a oportunidade se apresentou ele abraçou-a com toda a força, sem se preocupar com a mágoa que a revelação dessa acção poderia trazer a quem também o amava, mais do que qualquer vagina que a ele se oferecera em libertinagem. Sabia que estaria a ser egoísta, sabia que estaria a ser maldoso, sabia que estaria a ser hipócrita, mas não hesitara em ir contra tudo isso por um capricho de volúpia incosciente, nem tão pouco projectara o que faria depois.
Agora deparava-se com essa realidade e a resposta ao que fazer era tão dúbia quanto o estado de sobriedade com que estava horas antes, no momento em que pousou a mão sobre o primeiro seio alheio da longa e louca noite.